Como é o tratamento preventivo da enxaqueca?

A prevenção das crises envolve um autoconhecimento por parte das pacientes, além de acompanhamento de um médico, que pode ou não receitar medicamentos

A prevenção das crises de enxaqueca é tão ou mais importante do que o tratamento em si. Afinal de contas, saber evitar o surgimento da crise enxaquecosa é um passo fundamental para que o cotidiano da paciente fique livre de episódios como faltas no trabalho e a compromissos sociais. Para aderir a um tratamento preventivo eficaz, é preciso, antes de tudo, conhecer e identificar todos os desencadeadores das crises.

Estes fatores desencadeadores vão desde o ciclo menstrual (alterações hormonais), até situações de estresse, ansiedade, alimentos e odores que funcionam como gatilhos de crises enxaquecosas. Saber identificá-los e conversar sobre eles como o médico que faz o acompanhamento é o primeiro passo para fazer um tratamento certeiro para a prevenção.

O tratamento preventivo das crises de enxaqueca pode ser medicamentoso ou envolver apenas mudanças de hábitos. Porém, mesmo nos casos em que a prevenção envolver remédios, ela também vai exigir algumas mudanças por parte da paciente.

Os remédios usados para a prevenção das crises enxaquecosas em geral não foram desenvolvidos para este fim, mas seus efeitos sobre o organismo trazem benefícios que acabam também prevenindo ao máximo os episódios de dor.

Em geral, estamos falando dos antidepressivos (atuam a regular a produção de neurotransmissores cerebrais fundamentais para o controle da dor e das crises, como serotonina, dopamina e noradrenalina); anticonvulsivantes/neuromoduladores (estes medicamentos foram desenvolvidos para o tratamento da epilepsia e crises convulsivas, desencadeadas por mecanismos cerebrais semelhantes aos que provocam a enxaqueca) e betabloqueadores (desenvolvidos para tratar doenças cardiovasculares, ajudam no controle da pressão arterial).

Vale lembrar ainda que, caso as crises estejam diretamente ligadas às mudanças hormonais do ciclo menstrual, medicamentos específicos também podem ser indicados.

Apenas o médico especialista que realiza o acompanhamento da paciente será capaz de indicar e ministrar o tratamento medicamentoso das crises, muitas vezes em parceria com outro especialista, como ginecologistas, cardiologistas ou mesmo psiquiatras.

Porém, é fundamental frisar que a paciente enxaquecosa deve também identificar hábitos e características de seu cotidiano que também levam ao desenrolar de crises enxaquecosas. Para isso, uma boa ajuda pode ser a adoção de um diário das crises, no qual devem ser anotados datas e horários dos episódios de dor, assim como os principais “suspeitos” de terem colaborado para o seu aparecimento. Confira as principais:

Alimentos e bebidas
Café, além de refrigerantes e alguns chás ricos em cafeína muitas vezes precisam passar a ser ingeridos com moderação ou mesmo banidos. O mesmo vale para alimentos ricos em gorduras ou muito processados – portanto repletos de sódio e substâncias químicas.

Por interferirem na pressão sanguínea, as bebidas alcoólicas também devem passar a ser moderadas ou banidas.

Ficar muitas horas em jejum e sem ingerir líquido também leva a desequilíbrios que podem desencadear crises.

Estresse a ansiedade
Procure identificar seus hábitos e o que pode estar provocando estresse e ansiedade. Estes estados emocionais também são poderosos gatilhos para a crise. Caso você ache necessário, não hesite em procurar ajuda de um especialista.

Sedentarismo
Eis outro grande aliado das crises enxaquecosas. Troque o sofá e o carro por exercícios físicos. Além de colaborar para o controle do estresse e da ansiedade descritos acima, os exercícios fazem com que o cérebro libere substâncias que inibem e controlam a dor.

Dormir mal
Dormir mal ou durante poucas horas também faz com que as crises apareçam mais rápido. Busque dormir bem diariamente, tornando um hábito essencial. Se isso estiver muito difícil, é possível que o estresse, a ansiedade ou outro problema esteja interferindo. Busque ajuda médica.

Alterações bruscas de temperatura
Muitas vezes, alterações bruscas de temperatura acabam servindo de gatilho para as crises. Evite sair de um local quente para o frio a céu aberto sem se agasalhar. O mesmo vale para sair de ambientes com ar condicionado direto para o calor intenso da rua.

Cigarro e poluição
A fumaça de cigarros e da poluição atmosférica também podem desencadear crises. Abandone o tabagismo ou tente ficar longe de quem está fumando. Se você mora em grandes cidades, busque ingerir muito líquido e hidrate o nariz com soro, especialmente em dias secos.

Além de prevenir, manter o acompanhamento médico é essencial para que as crises fiquem sobre o controle. Leia mais sobre o assunto aqui.

 

 

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